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Empreendedorismo

Exemplo de empreendedorismo social: conheça a história de Nuricel e seu projeto para potencializar estrelas

Foi do sonho, desejo e determinação da educadora Nuricel Aguilera que nasceu o Alpha Lumen, exemplo de empreendedorismo social para jovens talentos.

Curiosamente, a carreira de Nuricel, a Nuri, começou bem longe da escola, na faculdade de física e astronomia, e mestrado em Inteligência da Informação. Mas assim que tomou contato com a área, ela não parou mais. Entenda abaixo como tudo isso começou.

 

O início no empreendedorismo social e educação

Em 1995, Nuricel criou uma ONG chamada Escola Aberta, em que trabalhava com escolas de periferia no Vale do Ribeira. Para tentar fomentar a autoestima dos alunos e seu interesse pela universidade, ela começou a investir mais na “garotada que se sobressaía, com altas habilidades”. Foi nessa época que Nuri iniciou sua atuação também como team leader em olimpíadas internacionais, nas quais conquistou diversos campeonatos com os alunos que preparava, em diferentes áreas e em diversos países como Rússia, China, Índia, Suécia, etc.

Foi aí que Nuri começou a formar sua rede e fazer o que a Alpha faz hoje: juntar a garotada dos campeonatos com os alunos de escola pública para que estes também tivessem suas habilidades desenvolvidas.

 

A mudança para São José

Em 2009, por conta de tudo o que viu e viveu ao longo da experiência com as olimpíadas e também com o colégio Objetivo, Nuri tomou uma decisão que seria chave para a construção da instituição: sair de São Paulo.

“Eu conheci o Brasil inteiro, escolas do país inteiro… Fui visitar escolas que tinha que ir de barquinho, sabe? Então, eu via professores maravilhosos, eu via estudantes brilhantes que nem eram percebidos, que muitas vezes eram taxados como problema, como difíceis. Então, eu sempre quis dar uma solução para isso. E aí eu vim para São José.”

Nuri escolheu a cidade depois de estudar também outras como Sorocaba e Campinas, que, para ela, tinham o perfil que precisava para se dedicar à ONG. “E São José é imbatível: tem universidades boas, tem uma lógica que valoriza a educação, a cultura joseense valoriza. Então, eu percebi que seria… realmente um espaço ideal para isso.”

Mas se engana quem pensa que a Nuri está focando apenas em São José dos Campos. Ela quer impactar todo o país ao compartilhar conhecimentos e investir no potencial de jovens com altas habilidades.

“Eu queria gerar impacto social através de processos educativos, da disseminação de conhecimentos. E trabalhar a garotada que tivesse altas habilidades e que no Brasil são muito descartados. Agora isso está mudando bastante, mas não tinha nenhuma iniciativa nesse sentido. Era politicamente incorreto, inclusive, você falar que alguém pudesse ter altas habilidades, porque todo mundo era igual.

 

O investimento em estrelas solitárias

Nuri conta que ela mesma, quando criança, era vista como a estranha devido a sua precocidade de pensamento. Para ela, as pessoas não entendem a noção de “altas habilidades” e minimizam o conhecimento e inteligência precoce das crianças. Mas Nuri seguiu remando no contra fluxo da sociedade para defender que as pessoas não eram iguais e que as altas habilidades deveriam ser percebidas e trabalhadas para o bem.

É um processo muito solitário ser diferente, porque você tem preocupações e anseios que as outras pessoas não têm. Você reflete sobre coisas que a outra criança ainda não está nem aí. Se você não tiver pais que te entendam e uma estrutura que te acompanhe, fica muito complicado. E eu queria dar solução, eu queria dar suporte para essa garotada. Se você consegue captar essas pessoas, elas vão trabalhar em prol da sociedade e com ética e valores.”

 

O início do Alpha

empreendedorismo socialFinalmente, entre 2013 e 2014, Nuri conseguiu iniciar seu projeto do Alpha (já falamos sobre ele aqui no blog antes, relembre aqui): com 18 estudantes.

“O objetivo era o mesmo do da Escola Aberta: descobrir a garotada com altas habilidades e instrumentalizá-la para que ela pudesse realmente fazer a diferença no mundo; como uma grande rede de pessoas que [pudesse], com ética, atitude, postura e protagonismo, fazer a mudança em todas as áreas.”

No começo, a instituição sofreu dificuldades para continuar, mas a Nuri não desistiu: ela e sua família juntaram todas as economias para investir no Alpha. Nesta época, seu filho parou a faculdade e seu marido foi tocar uma empresa no interior para segurar as contas da família.

Ela brinca ao lembrar da reação de seus conhecidos ao ir na instituição, que ainda contava com uma estrutura precária. Sem ligar para as críticas ou deboches, eles seguiram com o projeto e abriram de fato as portas em três meses, na mesma sede que têm até hoje. Para ela, o mais legal foi ver a garotada, e suas famílias, ajudando a pintar e a fazer todo o rejunte no colégio.

A partir daí, o crescimento do Alpha foi exponencial, engajando pessoas que encontravam sentido no projeto, entre alunos, professores e parceiros. No segundo ano, eles foram para oitenta alunos e depois para 270. Nuri defende que poderiam ter crescido até mais, mas preferiram prezar pela qualidade.

No Alpha, eles não têm a preocupação de preencher todas as vagas a qualquer custo, acima disto, é preciso que o jovem tenha o perfil requisitado. Hoje, o Alpha conta com 450 alunos e projetos em diversas áreas.

E você, tem alguma experiência ou deseja atuar com empreendedorismo social?

 

por Carol Lafuente,
Analista de Atração de Talentos da Stone