Tecnologia

Internet das Coisas – O que é?

Onde está a internet? O que pode parecer uma pergunta simples e contraditória ao mesmo tempo – afinal, a internet está em lugar algum e em todos os lugares – esconde respostas que estão em eterna mutação. Os anos 1990 e 2000 trouxeram consigo o advento da microcomputação para as massas e deram início à uma corrente de transformações que impactam nossas vidas das formas mais variadas. Houve uma época na qual a internet era vista como um local ao qual se acessava; precisávamos de modems com conexões discadas, que exigiam total dedicação de seus usuários. A compreensão das potencialidades da internet ainda era limitada (internet era como um outdoor onipresente. Deveria ser usada para exibir conteúdo em fácil acesso).

A chamada web 2.0 modificou essa estrutura. O internauta – alguém ainda lembra desse termo? – adquiriu o poder de interagir com as páginas, tornando-se ao mesmo tempo consumidor e produtor de conteúdo. Tecnologias evoluíram, permitindo melhor disseminação do acesso à rede e a miniaturização do poder de processamento. Aos poucos, a internet transbordava para outras esferas de nossas vidas.

Um bom exemplo pode ser encontrado na maioria das casas: aos poucos, a figura do computador como uma máquina grande, com um espaço próprio designado na sala ou no quarto, foi trocada pela do notebook e do smartphone ou tablet como ferramenta principal para consumir conteúdo. A produção de conteúdo também se diversificou, utilizamos ferramentas armazenadas na nuvem, isto é, em equipamentos externos às nossas máquinas, que podem ser acessadas de diferentes localidades. Essa onda de evolução tecnológica que aumenta nosso uso da internet em formas variadas recebeu o nome de Internet das Coisas (ou IoT, sua sigla em inglês) e representa uma revolução que já está em curso.

Os campos afetados pelo surgimento da internet foram tantos, que não haveria aqui espaço para descrevê-los, mas é seguro afirmar que as interações de pessoas entre si e entre pessoas e serviços foram radicalmente alteradas. É inegável a facilidade de poder pesquisar algo no Google, receber os preços de produtos das maiores lojas, comprar com um clique e receber em alguns dias em casa. A Internet das Coisas expande o espaço das possibilidades ao propor a integração à internet de ferramentas que até então eram off-line. A ideia é justamente esta: ligar à rede aquilo que não imaginaríamos precisar estar online. Se hoje já nos acostumamos à ideia de ligar a televisão e selecionar nela um vídeo do YouTube ou uma série do Netflix, há alguns anos essas hipóteses seriam tidas como ficção científica.

A popularização da IoT começou com os wearables, aparelhos que se propõem a auxiliar-nos em nosso dia a dia integrando-se ao nosso vestuário. A Motorola, com seu relógio moto 360, e a Apple com o Apple Watch, são dois exemplos desta nova categoria de produtos. Os relógios inteligentes se conectam à internet através de nossos celulares (ou diretamente, como os novos modelos da LG já fazem) e nos dão informações sobre notificações, eventos, nossa saúde e muito mais a cada dia.

A promessa da IoT vai além da integração entre nossos dispositivos. Como toda tecnologia em ascensão, ela é marcada mais por seu potencial do que definições concretas de sua usabilidade. Novos fabricantes surgem a cada dia com equipamentos com conectividade à rede. O termostato Nest permite que o usuário controle a temperatura da casa à distância, ele também aprende com o tempo as preferências do morador e passa a ajustar a temperatura automaticamente de acordo com os hábitos da pessoa. A Alexa, da Amazon, utiliza comandos de voz para interagir com o usuário, dando informações sobre o tempo, tráfego, notícias, tocando músicas, gerenciando listas de afazeres e permitindo a compra de coisas – no site da Amazon – com um comando simples. Também veio da Amazon o Dash, uma coleção de pequenos imãs de geladeiras que permitem a compra de produtos pré-estabelecidos ao toque de um botão. Percebeu que falta algo em casa? Basta apertar o imã. A Xiaomi, gigante chinesa do ramo de eletrônicos, lançou seu “ecossistema Mi”. A linha de produtos investe fortemente na conectividade dos eletrônicos da empresa, apresentando desde luzes acionadas pelo smartphone até uma panela eletrônica controlada remotamente.

Em meio a todos esses avanços, uma coisa é certa: já atravessamos a linha na qual o escopo da internet era facilmente mensurável. Ela já nos permeia a todo momento e nossas ações estão indissociáveis das interações com ela. A Internet das Coisas avança rapidamente e nos dá o poder de ressignificar a rede através de nossas ações enquanto consumidores. Como é de se esperar em toda revolução, nem todos os resultados são sempre positivos. Embora detentora de potencialidades muito benéficas, a IoT também apresenta riscos grandes. No próximo post, vamos falar um pouco sobre as complexidades apresentadas por um ecossistema de equipamentos totalmente conectados.