jovem prodígio brasileiro
Jovens Potências

Jovem prodígio brasileiro: do sonho de astronauta a campeão olímpico e agora aluno do MIT

Fabiano é um jovem prodígio brasileiro cuja história impressiona: apesar da descrença da família, participou de mais de 20 olimpíadas escolares, conseguiu entrar no curso de Engenharia Mecânica no ITA e está se preparando agora para um intercâmbio no MIT. 

Quando criança, o sonho do Fabiano era ser como o Marcos Pontes,  tenente-coronel da Força Aérea Brasileira (FAB) e ex-aluno do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), ele foi o primeiro astronauta brasileiro. Mas Fabiano ainda estava longe de almejar uma formação na instituição. Vindo de um bairro pequeno, Jardim Santo Antônio, em São José do Rio Preto, poucas pessoas que conhecia naquela época tinham chegado ao nível superior. Ele cresceu ouvindo da comunidade ao redor que apenas cursava faculdade quem tinha muito dinheiro. Seu próprios pais só haviam estudado até a quarta e quinta série do Ensino Fundamental. Mas Fabiano não seguiria o mesmo caminho.

Ninguém ia para a universidade no meu bairro. Na nossa visão ali, do bairro, era sempre que você precisa de muito dinheiro. E isso foi uma coisa repetida, as pessoas me dizendo isso ao longo da minha vida. Até mesmo quando eu já tava mais determinado, com os meus 17/18 anos, as pessoas falavam assim: ‘Ah, desiste, você precisa de muito dinheiro para faculdade’. (…)  E de certa forma, elas queriam meio que me proteger e que eu conseguisse um emprego, sabe? Essa era a visão do bairro onde eu nasci, do meu pai e da minha família. 

 

O início do jovem prodígio brasileiro

Aos doze anos, Fabiano estudava em um colégio público e participou da primeira Olímpiada de Matemática das Escolas Públicas. Se interessou pelo negócio e não parou mais. Inconformado com o mal desempenho na primeira olímpiada, começou a estudar e a participar de todas as demais que pode, dentre elas paulistas, municipais e brasileiras. No total, fez mais de vinte e conquistou medalhas em cada uma delas. Foi assim que passou a conhecer outras pessoas incríveis como ele e a receber oportunidades únicas. No primeiro ano, ganhou uma iniciação científica do Governo Federal para estudar Matemática e se preparar para as Olimpíadas. Para ele, isso deu um “boom” na sua vida. jovem prodígio brasileiro

“Todo sábado eu ficava na UNESP de Rio Preto, estudando matemática, e eu tive mais contato com universitários. E eles falavam do ITA. Aí no mesmo ano, o Marcos Pontes foi para o espaço e eu falei assim: ‘Nossa, primeiro astronauta brasileiro.’ Eu pesquisei a vida dele inteira, achei muito legal essa ideia de o Brasil ter um primeiro astronauta e eu vi que ele era formado no ITA. E isso ficou na minha cabeça: ‘Nossa, essa cara é muito f***, essa faculdade deve ser muito legal.'” 

Nesse momento, por conta do curso, Fabiano começou a sonhar em fazer uma universidade em Matemática. Depois, buscou algo mais pragmático na Física, até que se decidiu por Engenharia – “tinha essa sementinha do Marcos Pontes na minha cabeça”A dedicação aos estudos continuava e fez de Fabiano um jovem prodígio brasileiro. No último ano do Ensino Fundamental, ele ganhou uma medalha de ouro nas Olimpíadas da sua cidade e de bronze nas Olimpíadas nacionais. Hoje, ele não sabe ao certo o que o motivava a participar de todas elas, apenas afirma que gostava da competição consigo mesmo e isso o foi levando de uma para outra. 

jovem prodígio brasileiroEssas medalhas lhe renderam uma matéria no jornal da cidade e o que representou, para ele, o segundo “boom” na sua trajetória: uma bolsa para o Ensino Médio no colégio Objetivo. Lá, sofreu dois choques. O primeiro cultural: em completa oposição às pessoas do seu bairro, lá os alunos tinham total pretensão de ir para uma faculdade. O segundo foi nos estudos: começou a ter aulas de biologia, física e química. Isso o possibilitou participar de mais olimpíadas e ganhar mais medalhas ainda. Dividido entre esses dois mundos e as olimpíadas, ele continuou ganhando bolsas de instituições que se impressionavam pela sua história. Com isso, nessa época, cursava a escola regular de manhã, Elétrica no Senai durante a tarde e Desenho Industrial, no Senac, à noite. 

“O meu Ensino Médio inteiro foi estudando assim. Modo turbo: acordava às 5h, dormia 24h, tava com energia. E estava muito feliz também, porque eram coisas que eu nunca imaginava que eu ia ter contato, tanto as pessoas quanto aquelas oportunidades. Então eu fui fazendo e fui agarrando.

 

O desejo pelo ITA 

Com o Ensino Médio, Fabiano começou a se decidir mais pelo ITA, influenciado também pelos próprios colegas das olimpíadas. No segundo ano, já fazia vestibulares para Engenharia, chegou a passar na USP e na Unesp, e fez a prova do ITA. Tirou zero. Resiliente, tentou novamente no ano seguinte, mas conseguiu apenas 2,5 de média. Foi aí que ele fez uma loucura. Tendo passado em diversas federais e estando na lista de espera da USP, no 8o lugar, para fazer Engenharia em São Carlos, ele voltou aos estudos e começou a fazer um cursinho para passar no ITA. Para ele, esse foi um chacoalho de realidade e também um desafio para conseguir o dinheiro necessário, R$3.000 por mês. Além disso, Fabiano sofria constantes questionamentos dos seus pais. 

Minha família… eles não entendiam o que eu estava fazendo. Então, na cabeça deles era assim: ‘Fabiano, você precisa trabalhar, todos os seus irmãos começaram a trabalhar com quatorze anos e você já está com dezoito.’ E ao mesmo tempo, eles falavam que eu passava muito tempo estudando e que eu devia fazer outras atividades ao ar livre.’  

Nesse momento, Fabiano ganhou outra bolsa, da UNIP, em parceria com o Objetivo. Com isso, a diretora do colégio mostrou aos seus pais a possibilidade dele cursar um ensino superior na instituição, gratuitamente e ainda trabalhando como monitor. Sua família adorou a ideia, mas Fabiano queria mais. Ainda mirando no ITA, ele foi para São Paulo, às escondidas, fazer um concurso de bolsas no Poliedro e conseguiu 60% de desconto pela prova. Mas o diretor ficou impressionado pela história do jovem prodígio brasileiro e lhe deu mais 20% de bolsa.

Voltando para São José, negociou com a filial do colégio uma transferência, mas a decisão dependia do coordenador. Mesmo sem celular ou telefone em casa, Fabiano insistiu até finalmente conseguir falar com ele. Objetivo alcançado, conseguiu a bolsa para fazer o curso em São José. Mas ainda precisava de uma quantia para sua alimentação e moradia e, como estudava 14h por dia, não conseguia conciliar os estudos com um emprego. Foi aí que contou com a grande ajuda de seus amigos, que se reuniram e pagaram todos os seus estudos por três anos, para que ele não perdesse a bolsa. 

Ele voltou, então, a fazer vestibulares mas, apesar de passar em cursos como medicina e direito, não conseguia a desejada aprovação para Engenharia no ITA. No final do terceiro ano, já desgastado pelo esforço e à beira de desistir, ele finalmente passou para o ITA! A cidade toda de Fabiano comemorou. Seu pai ainda não conhecia a universidade e foi somente quando seu patrão lhe mostrou que ele e o restante da família começaram a entender todo o sonho e dedicação do Fabiano nos últimos anos. 

“E agora eles estão bem orgulhosos, eles super valorizam e pesquisam mais sobre o ITA. São super fã-clube.” 

 

A vida acadêmica

Nos primeiros anos, apesar da proibição do ITA, Fabiano correu atrás de estágios, mas só ouviu nãos por conta da idade e inexperiência. Mesmo frustrado pela situação, o jovem prodígio não desistiu e continuou batendo na porta das empresas; ao contrário de seus colegas, que apenas olhavam as oportunidades que apareciam no campus. Foi aí que Fabiano se voluntariou para fazer um estágio de férias não remunerado em uma fábrica desconhecida em Jacareí, na área de Logística. Trabalhava lá todos os dias, por 14h, enquanto ainda buscava um estágio melhor e mais próximo. Nesse momento, estava tentando uma vaga no programa de bolsas da Fundação Estudar e sua história chegou ao vice-presidente da Ambev, que o chamou para conversar 

Ele elogiou a energia do jovem, mas atentou para a falta de orientação e norte. No fim, lhe ofereceu um estágio summerde férias. Apesar de ter conseguido o que queria, Fabiano não esqueceu dos seus amigos do ITA que também queriam um estágio. Foi aí que ele começou a ser o divulgador das vagas e organizador dos eventos do programa de summer da empresa na instituição e, depois, de outras empresas que correu atrás. O negócio deu tão certo que Fabiano seguiu nesse fluxo por dois anos, apresentando a proposta do programa de summer para as empresas, que compravam e abraçavam a ideia. Com isso, ele se tornou presidente da Comissão de Estágios e Empregos do ITA e, lá, foi criando esses novos programas de estágio de férias para as empresas. Além disso, também organizava Feiras de Estágio, que buscava fazer de forma diferente. Ao invés das tradicionais palestras das empresas, Fabiano negociava com elas treinamentos aos alunos sobre os mais diversos temas, proporcionando uma experiência diferenciada. 

jovem prodígio brasileiro

 

A conquista no MIT

Fabiano chegou a fazer mais outros estágios na  Johnson&Johnson e Rhodia e hoje quer seguir na área de Logística. Por isso, fez alguns cursos onlines para se capacitar e foi nesta busca que entrou em contato pela primeira vez com o MIT (Massachusetts Institute of Technology). Mas analisando o perfil de alunos do ITA que iam estudar na instituição americana, Fabiano descobriu um padrão bem mais experiente do que ele e, por isso, não achou que fazia muito sentido para ele. 

 No entanto, recentemente, ele foi aprovado no programa de intercâmbio do MITjustamente para estudar Matemática Aplicada e LogísticaMais uma vez problema apareceu no caminho: não havia bolsa. Achou que isso o faria desistir? Nada disso. Fabiano foi atrás de patrocínio de empresas, mas percebeu que a doação em dinheiro era um processo que levaria mais de três meses. Foi aí que ele usou suas experiências na Comissão e decidiu criar um evento para angariar fundos para os seus estudos. Ele contará com uma edição em São Paulo, no dia 05 de Agosto,  e uma em São José dos Campos, onde cursa faculdade, no dia 19 do mesmo mês. O foco são os universitários e as empresas parceiras participarão oferecendo treinamentos sobre as etapas de um processo seletivo. 

jovem prodígio brasileiro

(Saiba mais do evento do próximo dia 05/08, em São Paulo. Inscreva-se aqujovem prodígio brasileiroi.) 

Além do evento, Fabiano também está com uma campanha de crowdfunding online para arrecadar os R$40.000 dos R$57.000 de que precisa. Inclusive o portal G1 já deu visibilidade para a ação. 

Detalhe, Fabiano ganhou um outro intercâmbio de seis meses como auxiliar de pesquisa na Universidade do Chile, também sem bolsa. Mas juntou todo o dinheiro que guardou dos estágios que fez e acabou de cumprir o curso lá neste mês de Julho, antes de ir para Massachusetts. 

 

Inspirações e sonhos

Fabiano continua se inspirando na história do Marcos Pontes, mas reconhece mais alguns ídolos e declara sua admiração pelo irmão mais velho, que é pedreiro. 

“Eu me identifico muito com a história do Marcos porque (…) Não tem o papo do talento, sabe? É muito na raça mesmo e eu valorizo muito isso, porque às vezes eu quero fazer uma coisa e eu não tenho a habilidade. Mas eu fico repetindorepetindorepetindo até dar certo. Eu gosto também da história do Barão de Mauá, de se preocupar com o país e tentar fazer coisas diferentes em um contexto que poucas pessoas pensam. (…) E eu admiro muito também o meu irmão mais velho. Ele trabalha com meu pai como pedreiro, mas foi ele que… me ensinou matemática. (…) E admiro ele por toda determinação também. (…) Ele fica tentando, tentando, até dar certo.” 

Hoje, Fabiano tem dois sonhos grandes. O primeiro é fazer uma olimpíada em São José. 

“Muitas pessoas me perguntaram o que mudou minha vida e eu acho que foi esse programa. Se eu não tivesse ganhado essa bolsa do governo, se eu não tivesse tido contato com o pessoal da universidade, talvez eu nunca soubesse o que era universidade. Então, eu quero retribuir isso de alguma forma. (…) Voltando, eu quero fazer uma olimpíada em que os estudantes de escolas públicaque recebam medalha recebam também uma bolsa em um colégio particular.” 

jovem prodígio brasileiro

O segundo é seguir estudando no MIT. Mas Fabiano também sonha uma realidade diferente para todo o Brasil e jovens prodígios como ele. 

Eu quero voltar pro MIT depois e fazer meu mestrado… em Supply Chain, na área de Logística. Mas a longo, longo-prazo, eu sinto muito um descontentamento com o conhecimento técnico no Brasil, sabe? Eu queria fazer algo nesse sentido. (…) Pelo que eu vejo aqui no Chile… as empresas estão dentro da faculdade, de verdade. (…) Tem essa preocupação de gerar um valor, que nem sempre as faculdades têm, né? Elas te formam, mas não têm um objetivo claro… que está alinhado às empresas, com o que o Brasil precisa. (…) Nossa, a gente tem um país muito, muito bom, em vários aspectos. E aí eu queria fazer algo a mais pelo país, nesse sentido. 

 

A Stone

Conhecemos o Fabiano em 2015, a partir da Comissão de Estágios e Empregos do ITA, e, desde lá, ficamos apaixonados pela sua história! Somos umas das empresas que doarão treinamentos nos seus eventos de arrecadação de fundos, tanto no dia 05 em São Paulo, quanto no dia 19 de Agosto, em São José dos Campos. Acreditamos no potencial de pessoas como ele para mudar a realidade do nosso país e, por isso, continuamos investindo na educação e carreira dos nossos jovens e abrimos este espaço para que histórias e exemplos como essa possam chegar ao máximo de lugares e pessoas possível.

Se você, assim como o Fabiano, também tem uma história incrível para contar, nos mande um e-mail para potencia@stone.com.br. Estamos ansiosos por descobrir outras potências pelo Brasil!

E você, quanto lutou contra as adversidades para conquistar um sonho? 

por Carol Lafuente