Jeito Stone

Ninguém cuida tão bem de um carro alugado

Entender por que fazer, e não o que fazer. Esta é a faísca que gera o chamado ownership – o sentimento de dono desejado e incentivado por empresas de diferentes segmentos e tamanhos que desejam alavancar seus resultados.

 

Na prática, isso significa sempre fazer o que for necessário para conquistar os resultados esperados, mesmo que isso signifique fazer um pouco a mais “do que a obrigação”. E, quando o colaborador entende o porquê das suas responsabilidades, os resultados esperados não são apenas da organização e para a organização – são dele, e para ele.

Esta é uma das características mais marcantes do sucesso de empresas como Ambev e a própria Stone. A cultura de ownership gera uma equipe de alta performance e alta demanda, que se reflete no desenvolvimento de talentos.

 

Ownership… ao Extremo

ownershipUm dos livros que aborda a fundo o conceito de sentimento de dono é o Extreme Ownership, em que o navy seal Jocko Willink, juntamente com Leif Babin, aplica seus aprendizados como comandante do exército americano ao ambiente de negócios.

O livro explica, com exemplos e situações reais do campo de batalha, características e atitudes que demonstram a cultura de Extreme Ownership. Entre elas, assumir responsabilidade ao invés de colocar a culpa em outros, não ceder às desculpas e não negar que problemas existem.

Embora o livro consiga isolar as atitudes e ensinar o conceito de Extreme Ownership, o próprio Willink afirma que aplicá-lo exige um esforço constante. “Quando noto que eu falho ao seguir esta filosofia, mesmo que por um momento, agora eu ao menos me treinei a sentir que há algo de estranho. Isso faz com que eu consiga corrigir”.

As cinco principais atitudes de Extreme Ownership, segundo o livro, são:

  • Assumir a responsabilidade e não culpar outros (inclusive times ou subordinados) por falhas
  • Ser decidido: saber priorizar e executar
  • Ser disciplinado ao seguir os planos, mas ao mesmo tempo ter flexibilidade e autonomia para adaptá-los
  • Ter boa comunicação: entender e explicar não apenas o que fazer, mas também por que fazer. Se não souber, descobrir.
  • Saber controlar seu ego. Só com humildade é possível reconhecer erros e compartilhar vitórias.

 

Como as empresas podem gerar este sentimento de dono?

O primeiro passo, como já comentamos, é permitir que os colaboradores, independentemente do nível hierárquico, entendam o porquê do trabalho. Isto lhes permite ter uma visão mais sistêmica da organização e seus objetivos de longo prazo, e compreender qual o seu papel no atingimento destes objetivos. Assim, têm inclusive mais espaço para criar soluções criativas e mais eficientes para chegar aos mesmos resultados.

ownership

“Se você não entende o motivo de uma iniciativa, você tem duas opções: criticar ou perguntar o porquê. Times de alta performance buscam os porquês o tempo todo”, afirmam Willink e Babin.

Outro ponto, intrinsecamente conectado à visão sistêmica da organização, é o senso de autonomia. A possibilidade de tomar decisões e resolver desafios de forma autônoma eleva o indivíduo a um nível muito mais alto de dedicação. Isto porque os desafios, antes de serem relevantes para seu chefe ou para a sua organização, passam a ser relevantes para ele mesmo.

Por fim, um forte senso de pertencimento e equipe é chave. A empresa deve criar um ambiente em que os colaboradores possam se sentir valorizados, relevantes e conectados com o significado do seu trabalho. Além disso, é essencial estar rodeado de pessoas de alta performance, que também estão engajadas com o propósito da organização e que vão subir a régua da equipe. Gente boa atrai gente boa.

 

E você, se sente dono do seu trabalho e das suas entregas?

 

Por Nathalia Bustamante
Fundação Estudar